A história do Ford KA no Brasil

jul 01, 2020

O Ford Ka chegou ao Brasil em março de 1997. Mas de fato, tudo começou na Europa, quando no Salão de Genebra em 1994 surgiu o conceito do KA, um simpático carrinho bem arredondado com faróis redondos e lanternas e grade do radiador ovais.

O conceito vermelho chamou muita atenção dos visitantes, correspondendo às expectativas da montadora de origem norte-americana, que já tinha planos de lançar um veículo urbano, econômico e barato para concorrer com o fenômeno Renault Twingo, lançado dois anos antes.

Apesar do sucesso do público, a Ford retrabalhou no projeto do Ka:. Trocou os faróis redondos por um conjunto triangular que envolve a lateral, esticou e afinou a grade na frente, tornou as janelas laterais mais pontudas, enquanto que atrás achatou a tampa do porta-malas e colocou lanternas em formato de olho. Por fim, dividiu os dois pára-choques em três partes, para facilitar a reposição. Manteve a plataforma do Fiesta, mas quebrou a modernidade equipando-o com o velho motor Endura 1.3 (derivado do usado no Escort 1968) na posição transversal e finalmente colocou no mercado o KA.

Essa primeira versão do Ka acabou ficando com um estilo de pirâmide, combinando com a origem egípcia do seu nome, que significa “Alma” ou “Espírito”, que desembarcou no Brasil em março de 1997, sendo fabricado em São Bernardo do Campo.

O Ka brasileiro, felizmente, surgiu idêntico ao europeu. Tinha as mesmas dimensões, o mesmo desenho das calotas e o mesmo interior de painel arredondado, com o seu inovador porta-luvas removível e acabamento simples, com lataria aparente na parte interna da porta.

Apesar do seu tamanho pequeno, o espaço para as pernas atrás era satisfatório para o seu porte. Isso foi possível porque as rodas foram projetadas para ficarem nos extremos da carroceria, proporcionando uma distância entre-eixos de 2,45m, um centímetro maior que o Fiesta. Seu ponto fraco era o porta-malas de somente 182 litros.

O motor era 1.3 de 60 cv. Cumpria a promessa de ser um carro econômico ao fazer a média de consumo de cerca de 13 km/l.

Um mês depois, chegava ao mercado o Ka com motor 1.0, que era o mesmo 1.3 com a cilindrada reduzida. Sua potência agora era de 53,5 cv e fazia 14 km/litro. No final do ano foi eleito o Carro do Ano da revista Autoesporte.

Dois anos depois, foi substituído pelo então moderno propulsor Zetec Rocam, com comando roletado, que aumentou a potência para 65 cv. Na aparência ganhou, além da sigla GL, a versão de acabamento, com para-choques na cor da carroceria nas versões mais completas.

Em 2001, ele ganhou a versão 1.6 do motor Rocam. E ainda vestiu uma roupa mais esportiva, ganhando entrada de ar no pára-choque, aerofólio no vidro de trás e saias laterais que tinham um prolongamento até o pára-lama traseiro, onde estava gravado o nome do traje: XR. E a potência subiu para 95 cavalos.

Ainda em 2001, ganhou uma série especial, também limitada, mais completa tanto com motor 1.0 quanto 1.6. Que oferecia bancos de couro, ar condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos e apenas uma cor, o Preto Ebony. E curiosamente, podia ser blindado. Mas apenas com motor 1.6.

Em 2002 veio a primeira reestilização , onde ele ganhou novas lanternas que ficaram mais altas e também estreitas. A placa subiu para a tampa do porta-malas. Por dentro, as novidades foram o porta-objetos no teto e a tomada de 12 volts no painel.


O Ka brasileiro estagnou-se visualmente. Ganhou nova frente apenas em 2004. A grade aumentou com a retirada da moldura oval, ganhou forma de colmeia e os para-choques também foram renovados. Vieram mais séries especiais como a Action 1.6 e a MP3, a mais completa, que trazia ar condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos e CD-Player que reproduzia MP3.

No final de 2007 a vida do Ford Ka no Brasil se separou de vez do seu original europeu, com a chegada da Segunda Geração.

Na frente, teve mudanças nos faróis e grade dianteira. Na lateral, janelas posteriores longas e a coluna C larga davam um aspecto de mini-perua ao segundo Ka brasileiro. O vidro traseiro ficou maior e elevado e as lanternas passaram a ser horizontais, mas sem invadir a tampa do porta-malas.

O interior ficou mais simples do que antes, com o painel assumindo formas retangulares. O destaque positivo do segundo Ka foi o aumento do espaço interno para cinco pessoas e do porta-malas de 182 para 263 litros. A mudança foi fruto da rejeição dos brasileiros aos microcarros, já que o comprimento aumentou 20cm em relação à primeira geração.

Em 2008 se iniciaram as vendas com os motores 1.0 e 1.6 Rocam, que enfim se tornaram bicombustíveis. Em 2009 foi relançada a série especial Tecno, usada na primeira geração, mas agora com CD Player com conexão Bluetooth e iPod.

Mesmo crescido, o Ka ainda não correspondeu às expectativas como a empresa desejava. Faltava alguma coisa. Como uma carroceria quatro portas e uma versão sedã. E o desejo dos consumidores foi atendido.

O Ka cresceu novamente (agora com 3,88m de comprimento e 2,49m de distância entre-eixos) e está com design mais próximo de concorrentes, sem deixar a agressividade da enorme grade hexagonal padrão Ford. Ganhou acabamento caprichado e equipamentos como sistema multimídia SYNC, além de ar, direção, vidros e travas elétricos de série. Trocou a fábrica de São Bernardo do Campo, onde era produzido desde 1997 pela de Camaçari, na Bahia.

Enfim com quatro portas e versão três volumes, chamada Ka +, além de um novo motor 1.0 de três cilindros e outro 1.5 e versões SE, SE Plus e SEL, a terceira geração do Ka chegou ao mercado em setembro de 2014, para substituir o Fiesta Rocam (da geração anterior ao modelo que emprestou a sua base) e brigar pela liderança do mercado nacional.

Em outubro de 2017, o Ka três volumes passou a se chamar Ka Sedan.

Em 2018, mais novidades de estilo com um belo facelift. Os para choques dianteiro e traseiro ganham design inédito. O interior também se renova e a evolução do Ford Ka oferece tela multimídia de 7 polegadas e câmbio automático de 6 velocidades.

As versões atuais são equipadas com uma série de itens de série, mesmo nas versões de entrada. A S 1.0, por exemplo, além dos 3 anos de garantia, possui assistente de partida em rampas (HLA), abertura elétrica do porta-malas, ar-condicionado, direção elétrica, indicador de troca de marcha no painel, vidros dianteiros elétricos e trava elétrica das portas com controle remoto. Tudo isso de série!

O Ka Titanium, em contrapartida, está no topo da linha. Além dos ítens de série apontados acima, essa versão se destaca pela segurança, incluindo 4 airbags (frontais e laterais) e controle de estabilidade e tração. No quesito conforto, a gama é ampla: câmera de ré, computador de bordo, bancos com revestimento premium, partida sem chave (Ford Power), piloto automático, sensor de estacionamento traseiro, central multimídia SYNC 2.5® com tela flutuante, e vidros elétricos. Tudo isso com a comodidade da transmissão automática!

A evolução do KA é constante e isso fez dele um campeão de vendas e um carro marcante na vida de muitos motoristas. 

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